Pressão arterial: norma e patologia

Se já ultrapassou os 45 anos, esteja atento à sua tensão arterial. Perante qualquer mal-estar, deve recorrer a um medidor de tensão (tonómetro) e medir a sua tensão arterial — é possível que tenha «começado a oscilar».

Como se sabe, o sangue, ao circular pelos vasos, exerce uma determinada pressão sobre as suas paredes. É a isso que se chama tensão arterial. Depende da velocidade e da força de trabalho do coração, bem como do volume total de sangue que este consegue bombear por minuto. É um dos parâmetros fundamentais de que dependem a vida e a saúde da pessoa, sendo muito importante para o organismo. O fluxo sanguíneo é influenciado por um grande número de fatores.

Valores normais da tensão arterial

Distinguem-se dois tipos de tensão:

  • máxima — sistólica, quando o músculo cardíaco se contrai;
  • mínima — diastólica, quando o músculo cardíaco relaxa.

Considera-se habitualmente que o valor de referência da tensão arterial de um adulto é de 120/80 mmHg. Ainda assim, o valor normal pode ser muito individual, pois depende da idade da pessoa, das suas características, do estilo de vida e da ocupação. Vejamos os diferentes valores normais consoante a idade:

  • 16–20 anos: máxima 100–120 mmHg, mínima 70–80 mmHg;
  • 20–40 anos: máxima 120–130 mmHg, mínima 70–80 mmHg;
  • 40–60 anos: máxima até 140 mmHg, mínima até 90 mmHg;
  • mais de 60 anos: máxima 150 mmHg, mínima 90 mmHg.

Da análise destes dados podem retirar-se as seguintes conclusões:

  • se para um jovem de 16 anos uma tensão de 100/70 mmHg é o limite inferior do normal, numa pessoa idosa com mais de 60 anos essa mesma tensão pode indicar uma doença grave;
  • pelo contrário, depois dos 60 anos o limite superior do normal é 150/90, valor que na juventude indicaria provavelmente problemas renais, endócrinos ou cardiovasculares.

Sintomas da hipertensão arterial

Um dos principais sinais de hipertensão é o aumento da tensão. Numa pessoa de meia-idade, um valor superior a 140/90 mmHg indica já a presença de patologia. Contudo, há que ter em conta as doenças crónicas associadas. Por exemplo, esses mesmos valores podem ser considerados normais em pessoas com diabetes. Regra geral, a hipertensão desenvolve-se na idade avançada. Segundo as estatísticas, aos 60 anos a hipertensão é diagnosticada em 45% dos casos, e entre os 70 e os 90 anos essa percentagem aumenta ainda mais. Isto deve-se às alterações dos vasos sanguíneos associadas à idade: com o tempo, as suas paredes tornam-se mais espessas e menos elásticas, ficam frágeis e formam-se no seu interior trombos e placas de colesterol que dificultam a circulação. Em consequência, aumenta a sobrecarga do coração, dificultando o seu funcionamento. Nalgumas pessoas verifica-se o problema oposto — a tensão desce, levando ao processo inverso, a hipotensão.

Muitas vezes a pessoa nem sequer suspeita que está doente, pois é fácil encontrar explicações externas para qualquer mal-estar.

Por isso, deve estar atento ao aparecimento destes sintomas:

  • ruído na cabeça;
  • zumbido nos ouvidos;
  • dores pulsáteis na região das têmporas;
  • visão turva, «moscas» à frente dos olhos;
  • tonturas;
  • falta de forças;
  • náuseas e vómitos;
  • dores na região do coração;
  • micção frequente.

Importa também destacar os fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão.

Podem dividir-se, de forma geral, em não modificáveis e modificáveis.

Fatores de risco não modificáveis:

  • idade (a doença surge com maior frequência a partir dos 45 anos);
  • sexo (os homens são mais afetados pela hipertensão);
  • predisposição genética.

Fatores de risco modificáveis:

  • Excesso de peso e obesidade. Está demonstrado que, por cada 10 kg de peso a mais, a tensão sistólica (máxima) aumenta 2 a 3 mmHg e a diastólica (mínima) 1 a 3 mmHg.
  • Tabagismo.
  • Fatores alimentares.
  • Alimentação incorreta (consumo excessivo de sal, excessos à mesa, consumo excessivo de gorduras animais, falta de laticínios, legumes e fruta).
  • Abuso de álcool e de café.
  • Stress crónico.
  • Sedentarismo — vida pouco ativa (o risco aumenta 20 a 50%).
  • Presença de doenças associadas (diabetes, patologia renal e aterosclerose).

O que fazer ao detetar uma tensão arterial elevada? Aos primeiros sinais de subida da tensão, não deve adiar a consulta médica para apurar a causa e definir o tratamento adequado.

Não recorra à automedicação, não siga conselhos de conhecidos ou familiares que sofram da mesma doença nem tome os mesmos medicamentos que eles. A causa e a evolução da doença são diferentes de pessoa para pessoa, pelo que um tratamento útil para uns pode ser inútil ou até prejudicial para outros. Confie a um médico qualificado a definição da abordagem terapêutica adequada a cada caso.

Por onde começar o tratamento da tensão arterial elevada? Antes de mais, é necessário abandonar alguns hábitos nocivos, como o tabaco, o abuso de álcool e o consumo excessivo de sal. Procure perder o peso a mais. Uma alimentação correta e a prática regular de exercício físico são o caminho para normalizar os valores da tensão. Além disso, consoante a gravidade da doença, o médico prescreverá o tratamento medicamentoso adequado.

Habitualmente, na hipertensão utilizam-se medicamentos de vários grupos:

  • Grupo I — Betabloqueadores: atenolol, metoprolol, bisoprolol, betaxolol.
  • Grupo II — Antagonistas do cálcio: nifedipina, amlodipina, lercanidipina, felodipina, nitrendipina.
  • Grupo III — Inibidores da ECA (IECA): captopril, enalapril, perindopril, lisinopril, fosinopril.
  • Grupo IV — Antagonistas dos recetores da angiotensina (ARA): losartan, valsartan, eprosartan, telmisartan, olmesartan, azilsartan.
  • Grupo V — Diuréticos: hidroclorotiazida, indapamida.

Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui o aconselhamento médico. Consulte sempre o seu médico antes de tomar qualquer decisão relativa ao tratamento.

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Todas as informações contidas neste artigo são meramente informativas e podem não estar actualizadas no momento da publicação. É necessário consultar um especialista antes de tomar quaisquer acções e decisões!

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